O primeiro pedaço

Misturar o sério com o lúdico para gerar impacto. Foi isso o que fez a Anistia Internacional, movimento global contra abusos aos direitos humanos, que, em comemoração aos seus 50 anos, trocou as imagens chocantes de campanhas anteriores por bolo, tons pastel e serpentina.

Campanha mais leve, pero no mucho. Com as cabeças de Fidel Castro e do presidente bielorrusso Alexander Lukashenko no prato, a legenda diz: “Anistia Internacional: 50 anos junto com você cortando a voz da opressão.”

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Cézanne era food stylist!

Você sabe o que é um stylist de natureza-morta? Apesar do nome moderninho, é um trabalho bem antigo que consiste em organizar cenas com objetos inanimados a fim de pintá-las, desenhá-las ou fotografá-las. Ou seja, Cézanne já era stylist. A diferença é que, enquanto nos tempos do pintor francês o interesse maior era no produto final, hoje em dia os artistas da natureza morta roubam a atenção montando paisagens, roupas, pessoas e até mesmo quadros, ainda que tudo isso seja fotografado por outros profissionais.

Para a última edição da revista de culinária francesa Fricote, por exemplo, a diretora de arte Émilie Guelpa se inspirou no sistema de cores Pantone.

Pantone Tarts. Criação de Emilie Guelpa para a revista Fricote.

O livro de receitas Hommade is Best, da Ikea, traz os ingredientes de cada prato em composições simples e delicadas da stylist Evelina Bratell. Algo como os pictogramas do Cabaré.

Composição de Evelina Bratell. Foto: Carl Kleiner

O Sydney International Food Festival fez uma campanha com bandeiras feitas a partir dos pratos típicos de cada país.

Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Suíça, Coreia do Sul, Japão, Índia, Brasil e Espanha.

Já para a rede de supermercados sueca Hemköp, a stylist Linda Lundgren montou gotas (brasileiros veem coxinhas) com produtos e embalagens de uma mesma cor.

KitchenAdds

Panelas Le Creuset, eletrodomésticos Viking e portáteis da KitchenAid são alguns dos sonhos de consumo mais comuns entre aqueles que gostam de cozinhar. Eles são lindos, famosos, clássicos e dolorosamente caros, especialmente no Brasil.

Enquanto não é viável pagar R$1.500 por uma batedeira e R$800 por uma panela, não custa nada conferir as novas coleções dessas marcas, ou simplesmente admirar os modelos tradicionais. Nesta campanha criada no ano passado pela agência brasileira DM9, as batedeiras da KitchenAid aparecem em peças inspiradas em diferentes movimentos artísticos.

Anatomia de um lanche

Todo adolescente sabe disto. Juntamente com o miojo, o hot pocket e a pipoca de micro-ondas, os sanduíches estão entre as primeiras coisas que aprendemos a fazer na cozinha quando estamos sozinhos, sem dinheiro e com muita fome. Não tem segredo, bastam duas – ou mais – fatias de pão, qualquer coisa para colocar entre elas, e pronto!

The Club: bacon, tomate, alface, peru, queijo suiço, maionese, no pão branco tostado.

No entanto, devemos concordar que não é só isso que faz um sanduíche ser um bom sanduíche. Além de gostoso, ele tem que ser cheiroso e bonito, como o artista e designer texano Jon Chonko parece saber bem.

Desde 2009, Chonko mantém o site Scanwiches, que, como o próprio nome diz, é dedicado à arte de escanear dos mais clássicos aos mais inusitados sanduíches. É um trabalho de análise anatômica que, por meio de um corte transversal, mostra com criatividade ingredientes, invoca memórias e tudo o que faz desta maravilha gastronômica uma unanimidade.

O sucesso do site foi tão grande que Jon Chonko chegou a expor seu trabalho em uma galeria em Nova York, em 2011, e, assim como aconteceu com o They Cook and Draw, ainda lançou um livro com a coletânea de sua obra. Além das imagens, O livro Scanwiches também traz receitas e histórias dos lanches, inclusive de clássicos internacionais como é o caso do nosso Bauru.

O Dagwood

A arte de beber

A margarita sob o microscópio

A história da BevShots começou com imagens bastante comuns em livros de ciências: aquelas tiradas sob um microscópio. Mas, como a vida não é fácil ou justa, fotos para fins educativos, como a de cristais de DNA, não conseguiam bancar o laboratório de Michael Davidson, e foi somente quando um fabricante de gravatas lhe disse “Coquetéis!” que a coisa pegou no breu.

As imagens de bebidas alcoólicas estamparam gravatas cafonas durante 7 anos até que, em 2002, o empresário e cientista Leslie Hutt viu nelas potencial artístico, e criou a BevShots MicroArt.

Cerveja Guiness

Prints para colocar na parede da sala? É claro, mas, como nenhum americano é bobo, no site também é possível comprar copos, porta-copos, cantis, lenços e cangas com padronagem de sua bebida favorita. Agora é arte.

Porções à francesa

A famosa panela francesa Le Creuset

Há duas coisas que você provavelmente tem na sua casa. Mas não se empolgue. Não se trata de uma receita fácil e gostosa feita com ingredientes que estão sempre à mão. Embora uma delas tenha a ver com comida, falo do Atlas Geográfico Mundial, lançado pela Folha de S.P., e do porta-pote de margarina da Qualy.

É difícil encontrar alguém que não tenha, ou que não tenha tido um dos dois em meados dos anos 90. Distribuídos para incrementar as vendas das marcas as quais estavam associados, esses “brindes” funcionaram. Tanto que, em 1995, a Folha chegou a vender 1,5 milhão de exemplares em um único dia!

Não é à toa, portanto, que com tantos portais voltados para celebridades na internet, a revista Caras esteja emendando brinde atrás de brinde, em diferentes coleções. Algumas das mais recentes foram a Royal Collection, de taças, e a Sonho Oriental by Kenzo, com louças da culinária japonesa.

Agora é a vez da coleção “Petites Casseroles da cozinha francesa”, que chega às bancas hoje com a Grande Casserole. São mini panelas que, na aparência, lembram as famosas – e caríssimas – francesas Le Creuset, e têm como matéria-prima porcelana, cerâmica esmaltada, bambu e alumínio antiaderente.

Ao todo serão 39 itens em 48 semanas (pouco menos de um ano) por cerca de 430 reais. Prepare o armário, o bolso e a inveja, pecado iminente diante de um sem número de celebridades ostentando toda sua glória com futilidades recompensadas.

Como experimentar a comida

Bolo em forma de tartaruga, da Love to Cake.

Dizem que comer é uma arte, mas, enquanto consumir pratos refinados exige pouco mais que educar o paladar – ou nascer com o sentido apurado – criar obras de arte com a comida é para poucos.

A Experimental Food Society (Sociedade de comida experimental), criada em 2010, reúne muitos dos ingleses que fazem parte desse seleto grupo, e agrega desde trabalhos inusitados, como o do Condiment Junkie, que pesquisa a influência do som na degustação dos alimentos, até “alquimistas” do chá e de drinks.

Para nós que, a distância, não podemos provar os resultados dessas experiências, chamam atenção os escultores. E eles dão um baile nas melhores criações de Ace of Cakes e Cake Boss. A confeiteira Louise Hill, da Love to Cake, por exemplo, faz esculturas lindas e realistas sem a ajuda de marzipã e pasta americana. Na foto de abertura, a tartaruga foi feita com creme de baunilha e chocolate amargo.

Outro trabalho visual bacana é o do fotógrafo Carl Warner, que cria paisagens a partir de pães, vegetais, carnes etc. Já Andrew Stellinato usou tinta de lula para escrever sonetos em massas.

Paisagem de Carl Warner, criada a partir de alimentos.

Andrew Stellinato escreveu sonetos em massas com a ajuda de tinta de lula.