Meet me in St. Louis…

Pequeno, escuro e cheio de artefatos vintage. Assim é o St. Louis, no Jardim Paulista, zona oeste de São Paulo. Não bastasse isso, ainda serve lanches que estão sempre nas listas dos melhores hambúrgueres da cidade. Os preços subiram um pouco, mas continuam abaixo dos praticados pela concorrência.

Foto: Tadeu Brunelli / Época SP

Estacionamento:

É questão de sorte. Não há serviço de valet nem estacionamentos próximos, então o jeito é encontrar lugar na rua. Durante o dia, paga-se zona azul, mas à noite não é preciso gastar sequer com flanelinhas.

Entrada:

Quase sempre é preciso enfrentar uma fila de espera que cresce lá pelas 21h. Passado esse obstáculo, não se deixe enganar por uma placa espirituosa ao lado da porta, na qual está escrito: “This is not Burger King, you don’t have it your way. You have it my way or you don’t eat the damn thing”. O lugar é aconchegante e o atendimento, atencioso.

Entre as opções de entrada estão porções tradicionais, como onion rings, batata frita e batata com cheddar e bacon (R$23). A batata não é extraordinária, o cheddar leva muito amido e o bacon… bem, é bacon. O que surpreende são os extras: molho barbecue e cebola grelhada. Fica adocicada, uma delícia!

Prato principal:

Para nós, o grande mérito da lanchonete de Luiz Cintra é saber equilibrar os sabores e as quantidades. Não é porque maionese é gostosa que precisamos lambuzar os lanches com ela. No St. Louis tudo é comedido, mas por uma questão de paladar e não de economia.

O Tommy’s (R$24) – hambúrguer, queijo prato, chili e salada – não chega a mesa transbordando, apesar da receita cremosa. Tampouco faz você suar com a ardência da pimenta. O chili é levemente picante e vem em quantidade moderada, o que é perfeito para saborear o hambúrguer feito no char-broil.

Mais forte, o Pepper Crust (R$28,5) tem hambúrguer revestido em pimenta do reino e molho de mostarda dijon. Parece ser o contrário de tudo o que dissemos até agora, mas não é, pois leva hambúrguer maior, o que suaviza o impacto dos demais ingredientes.

O Bacon (R$22) – hambúrguer, queijo e bacon – é simples, mas eficaz. Quem disse que só de ingredientes gourmet e receitas inusitadas vivem os bons lanches? Já o New York Street Dog (R$15) aposta em uma mistura de resultado agridoce – molho de tomate acebolado e cole slaw – para acompanhar salsicha consistente, batata palha e batata chips.

Uma coisa bacana é que é possível transformar as receitas dos lanches em versões vegetarianas. Cobra-se R$2 a mais para fazer isso.

Sobremesa:

Tortas! De limão com calda de framboesa e de maçã com sorvete de creme. Vale a pena pedir as duas e fazer um rodízio com os companheiros de garfo.

Outras considerações:

“Embora as porções possam parecer pequenas, elas realmente satisfazem sem que você se sinta estufado. Outra delícia que vale comentar é a Berrie Lemonade (R$7) – limonada e framboesa. Diferente e refrescante.”

“Além do ambiente ser incrível, a comida  é deliciosa, com uma inesquecível torta de maçã. Segue uma ressalva: se você estiver em muitas pessoas, não espere um tratamento especial, você vai ficar na fila – e que fila! – como todas as outras pessoas, mas tudo isso vale muito a pena. Lanche gourmet com um preço bem bacana. Queria que tivesse um restaurante desses na esquina da minha casa.”

St. Louis

Rua Batataes, 242 – Jardim Paulista

Tel.: (11) 3051-3435

www.stlouisburger.com.br

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Lanchonete sem frescuras

Na cidade há quase 50 anos, a lanchonete Joakin’s, no Itaim Bibi, zona oeste de São Paulo, ainda motiva fila de espera na frente do salão retrô durante quase toda a noite. Lá dentro, hambúrgueres servidos em saquinhos de papel remetem aos lanches de rua, dando uma ideia mais ou menos precisa do que é o lugar: uma das poucas lanchonetes que não se tornaram gourmet.

Foto: Eli K. Hayasaka

Estacionamento:

Alinhado à proposta da casa, não segue a moda de cobrar entre R$15 e R$20 para guardar os carros de seus clientes. Apesar de contar com estacionamento próprio, além de uma equipe grande de manobristas, o serviço é gratuito.

Ambiente:

O Joakin’s não faz parte do circuito de lanchonetes pequenas e cuidadosamente decoradas no qual estão, por exemplo, St. Louis, Butcher’s Market e Hamburgueria 162. O salão trabalhado em vermelho e amarelo é bem iluminado, abarrotado e barulhento. No lugar dos casais, famílias grandes – de netos a seus avós – e grupos de amigos chegam em carros que vão desde os modelos populares até os importados, algumas pessoas bem produzidas, outras de bermudão. Enfim, um lugar sem frescuras.

Comida:

As famosas cebolas fritas em rodelas, Onion Rings, estão entre as opções de entrada. A receita da casa (R$18) leva o ingrediente principal cortado fininho, sem tempero e um pouco carregado na farinha. Para acompanhar, há ketchup Heinz em todas as mesas, mas também é possível pedir uma porção (à parte) da maionese Kin’s, temperada.

Apesar de descrito no cardápio como tendo 180g, o hambúrguer do Cheeseburger Salad (R$18) veio bem fino e pouco saboroso, já que havia passado do ponto. Perdeu-se em meio a uma boa quantidade de alface e três rodelas médias de tomate.

Já o Kin’s Calabria (R$14), hambúrguer de calabresa e queijo prato, foi servido um pouco mais rechonchudo e bem mais suculento e saboroso. Mesmo após a alta dos preços, continua tendo a melhor relação custo-benefício entre os hambúrgueres de calabresa.

Outras considerações:

“Aos finais de semana, o movimento começa cedo. Lá pelas 20 horas já tem espera. Uma dica para quem resolver encarar a fila é ficar atento ao número de chamada, pois a sala de espera não comporta todas as pessoas e é necessário que muitas aguardem do lado de fora, de onde é difícil tomar conta do visor. Apesar de termos escutado a hostess chamar alguns números lá fora, no dia da visita ela disse que o nosso apareceu no visor, mas não saiu para nos chamar. Resultado: após uma hora, vimos a espera, com muita gente que chegou depois da gente, praticamente esvaziar sem que a dita cuja demonstrasse um mínimo de preocupação.”

Joakin’s

Rua Joaquim Floriano, 163 – Itaim Bibi

Tel.: (11) 3168-0030

www.joakins.com.br

Esconderijo do hambúrguer

Com fachada discreta na esquina da Rua Augusta com a Luís Coelho, a Hamburgueria 162 tem ambiente agradável e serviço rápido, mas peca pela inconsistência de seu cardápio, que traz algumas opções surpreendentes e outras decepcionantes.

Hambúrguer de queijo brie e cogumelos. Foto: Katiuska Sales. Via Empratado.

Estacionamento:

Não há serviço de manobrista. Por ficar em região movimentada, o jeito é deixar entre R$10 e R$15 em algum estacionamento nas proximidades, ou arriscar a sorte na procura por vagas na rua e deixar alguns trocados com os flanelinhas.

Entrada:

Quem espera encontrar a Hamburgueria 162 a olho pode ter dificuldade. Em vez do ambiente chamativo e retrô da maioria das lanchonetes, a Hamburgueria aposta em um estilo que está mais para o Grimmauld Place, de Harry Potter, que aparece somente para aqueles que estão em posse de seu endereço. Bem ao gosto dos frequentadores da Rua Augusta.

Ao subir as escadas, porém, o que se vê é um salão simples e vazio em plena hora do almoço, com paredes de tijolinhos, pequenas mesinhas pretas, cadeiras vermelhas e um balcão virado para uma ampla janela  que distrai os clientes solitários.

Na hora de pedir a bebida, a primeira falha: dos três sabores de milk shake (R$7,50) disponíveis (chocolate, morango e baunilha), a casa tinha somente dois. A receita, que leva creme de leite na composição para dar cremosidade, ou não funciona, ou foi feita de forma equivocada no dia da visita, e ambos chegaram a mesa tão ralos e sem sabor que o de chocolate mais parecia leite com Nescau.

Como entrada, a escolha foi a Batata 162 (R$11). São batatas fritas cortadas de forma rústica (grandes e com casca), salpicadas em páprica e acompanhadas de dois molhos. Nessa hora, a segunda falha: justo o molho 162, que remete ao nome da casa, estava em falta.Ficamos, então, com a maionese verde, muito parecida com a maionese caseira temperada clássica, e o molho tártaro, cuja aparência coalhada e textura gordurosa não agradaram.

Batata 162, com páprica. Foto: Márcio Palermo. Via Empratado

Prato principal:

Apesar de enxuto, o cardápio traz opções para variados gostos e estilos de vida, e é possível escolher desde hambúrguer de carne de porco até os de beterraba e de salmão defumado.

Para quem prefere o hambúguer tradicional, no entanto, a melhor opção é o Brie (R$20,50), com hambúrguer bovino, cogumelos paris, queijo brie e maionese verde a parte.Sem exageros no recheio, é possível sentir o sabor de cada ingrediente em harmonia com os demais.

Já no Chicano (R$21), o excesso de ingredientes fortes (chili, queijo cheddar, ovo, nachos e pimenta biquinho) esconde os sabores, em especial o do hambúrguer artesanal, o que é uma pena, e impera o sabor do cheddar alaranjado enjoativo e rico em amido.

Sobremesa:

A única opção de sobremesa no cardápio são bolas de sorvete (chocolate, morango e baunilha) com cobertura e ovomaltine.

O melhor é ficar com uma das diversas opções de picolé Diletto (de R$4,50 a R$6,50).

Outras considerações:

Gláucia: Gostei muito do ambiente. A música estava boa e me pareceu um bom refúgio para a agitação da Augusta para quem gosta de sentar para conversar com os amigos. Mas saí de lá um pouco decepcionada com o hambúrguer que pedi (Chicano). Voltaria caso sentisse fome e estivesse na região, mas não sairia de casa para ir lá especificamente.

Marcel: Sendo essa a segunda vez que estivemos lá, me pareceu que a inconstância nos pratos é a única constante, e isso mata qualquer experiência em um restaurante e fica difícil recomendar para alguém. As batatas estavam boas, mas, da última vez, tinham mais páprica. Além disso, parece que sempre falta alguma coisa. Da outra vez Onion Rings, e desta, sorvete de baunilha e o molho da casa. Cada ida ao 162 é uma grande surpresa.

Hamburgueria 162

Rua Luís Coelho, 162 – Consolação

Tel.: (11) 2738-5162

www.hamburgueria162.com.br

AK/Vila traz Lox de volta a São Paulo

Assim como nós, a chef Andrea Kaufmann, do AK/Vila, é orfã do antigo Pop’s Bagels and Coffee de Cássio Machado, que virou Blue Velvet que não virou nada. Era lá que comíamos o bagel lox, uma receita tradicional da cozinha judaico-americana muito apreciada em Nova York, que consiste em finas fatias de salmão defumado com cream cheese naquele pão que parece uma rosquinha. Para matar a saudade, Andrea traz a receita em seu novo cardápio. Mas o AK surpreende também em outros lanches, como o Hamburguer Breslin, com carne de cordeiro.

Durante a espera, pratos com cara de Top Chef em porções mais generosas não paravam de sair da cozinha

Estacionamento:

De todos os dias possíveis, calhou de escolhermos justo o dia da feira da Vila Madalena, que pega exatamente aquele trecho da Fradique Coutinho, entre a Wisard e a Aspicuelta, no qual a nova casa da chef Andrea Kaufmann está localizada. Deixamos 20 reais no estacionamento Wisa Park e seguimos a pé.

Entrada:

Havia 5 mesas na nossa frente, e a pessoa responsável pela espera nos encaminhou para o balcão do bar. Foram servidas fartas azeitonas verdes e pretas. Na hora de pedir a cerveja (Sol Mexicana R$5,80), o garçom pediu um cartão que não nos foi entregue quando chegamos. Em vez de se negar a servir as bebidas e pedir que fôssemos atrás do tal cartão, ele próprio se encarregou disso. Foi uma atitude bem simpática.

Ainda no balcão, pedimos faláfel como entrada (R$23). A porção vem com 7 pequenos bolinhos de grão de bico bem crocantes e sequinhos, além de pão pita, um potinho de tahine bem temperado e uma salada de tomates e pepinos cortados em cubinhos temperados com azeite, folhas de hortelã e, suspeitamos, dill. Simples e gostoso.

Na decoração, cadeiras sem padrão e capitonê combinam com a clientela, que inclui desde senhoras impecáveis, passando pelos alternativos, até descolados de bermudão e chinelo.

Prato principal:

Acompanhado de salada verde, o Baguel Lox (R$32) de Andrea Kaufmann não desapontou. Aliás, superou o de Cássio Machado em muitos aspectos como o salmão, que parecia ser mais fresco, e a mistura de cream cheese e dill, cujo sabor delicado, mas característico se destacou na medida certa. O bagel com gergelim, da Bagel Factory, em Moema, estava um pouco borrachudo para garfo e faca.

Feito no pão ciabatta, o Hambúrguer Breslin (R$32) também não era dos mais fáceis de comer com pompa, mas valeu o esforço. Com queijo feta e cebola roxa, lembra o Califa da Lanchonete da Cidade, mas supera o concorrente no quesito hambúrguer, que no AK/Vila leva carne de cordeiro, o que confere ao lanche um sabor mais forte e requintado.

Já o AK Burguer (R$31) leva pão de hambúrguer tradicional e carne de vaca, deixando o diferencial por conta dos demais ingredientes da receita: pastrami, queijo brie, cebola grelhada adocicada e um suave molho de cogumelos à parte.

Para acompanhar os lanches, pedimos as batatas rústicas (R$11). Em tamanhos desiguais, elas são cozidas e, em seguida, fritas, e chegam à mesa já salgadas com a aparência e com a crocância de mandioquinha frita.

Sobremesa:

Ficamos com a Taça San Pedro, que leva sorvete de creme batido com whisky e nozes por cima. Uma ideia simples que funciona, mas que talvez não tenha sido a melhor pedida para conhecer as sobremesas elaboradas por Andrea.

Outras considerações:

Gláucia: Embora tenhamos ido atrás dos lanches, enquanto esperávamos por nossa mesa, fomos surpreendidos por um desfile de pratos muito perfumados e muito bonitos de se ver. Foi de encher a boca d’água. E ainda fomos lisonjeados com a presença muito simpática da chef da casa que merece nossos parabéns e outras visitas de nossa parte neste novo empreendimento.

Marcel: Sabor marcante, lanches diferentes e um bagel lox tão bom quanto o que a minha memória me deixa lembrar, mas não fica só nisso, pratos bem chamativos e uma chef muito simpática também com uma saudade do lox do pop’s. Volta mais que garantida, mesmo que seja para ficar no balcão tomando sol com limão e comendo azeitonas. Só uma observação, o hambúrguer era um pouco menor que o  pão, deixando o já complicado pão de ciabatta um pouco mais complicado de comer de garfo e faca. 

AK/Villa

Fradique Coutinho, 1.240 – Vl. Madalena

Tel: 3231-4496

www.akvila.com.br