O dom de Atala

O chef basileiro Alex Atala

Quebrar o preconceito e transformar a culinária brasileira regional em alta gastronomia foi só um dos feitos alcançados por Alex Atala. Chef com maior vocação para popstar do Brasil, ele é o Gordon Ramsay e o Jamie Oliver da nossa TV, e conquistou recentemente a colocação de sétimo melhor restaurante do mundo, indicação que disputa espaço em uma estante já torta de tantos prêmios.

Atala teve uma trajetória nada ortodoxa para um chef. Veio de uma família palestina, entrou para o movimento punk de São Bernardo e foi morar sozinho. Aos 18 anos, trabalhou como DJ em uma casa noturna paulistana, onde juntou dinheiro para viajar para a Europa. Lá, pintou paredes até entrar em um curso profissionalizante de gastronomia com o único objetivo de conseguir um visto. Trabalhou em alguns restaurantes na Bélgica, na França e na Itália até voltar ao Brasil e, aos poucos, conseguir sua notoriedade. Ele costuma dizer que “atirou no que viu e acertou no que não viu”, e até hoje fica irritado quando lhe perguntam em qual faculdade se formou. Em tom irônico, procura sempre mostrar que sua graduação foi feita na cozinha.

Atualmente, leva receitas e ingredientes dos quatro cantos do Brasil para seus restaurantes DOM e Dalva e Dito, sempre tentando inserir no cardápio algo que comeu em alguma de suas viagens, algum segredo que lhe foi passado por um índio, ou por uma grande cozinheira regional. Em suas entrevistas, Alex Atala deixa claro que um dos seus segredos é servir muito mais que um prato requintado, e proporcionar a seus clientes um momento especial. Para alguns, é uma boa lembrança; para outros, uma experiência completamente nova. O mais importante é sair do DOM com uma sensação reconfortante, a qual Atala, mostrando mais uma vez que dispensa a pompa da gastronomia atual, explica com a ajuda de uma animação infantil: é o efeito Ratatouille.

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Uma pitada de Brasil

Chef Mara Salles

O que faz a identidade de um país? Seu povo, seus costumes e, com certeza, sua culinária. A identidade brasileira está em seu bobó, suas frutas tropicais e exóticas, sua moqueca, seu barreado… O Brasil tem muitas caras e, pelo menos em se tratando de gastronomia, ninguém as conhece tão bem quanto a chef Mara Salles, que comanda o premiado restaurante de comida brasileiríssima Tordesillhas.

Mara gosta de estudar, experimentar e criar pratos com sabor tupiniquim.  É adepta da cozinha simples, do fogão à lenha, do pilão de madeira e da panela de barro. É uma chef que entende que a gastronomia nacional vem de geração em geração, e que é na história por trás de cada prato que se encontra o sabor.

Sua paixão pela cozinha é tamanha que ela faz questão de dividi-la, seja através de receitas assinadas por ela espalhadas na internet, seja como professora na Universidade Anhembi Morumbi. Por trás disso, está a vontade de continuar o o legado de sua mãe, Dona Dega, e tentar elevar a culinária brasileira ao primeiro escalão. E os prêmios estão aí para mostrar que Mara está no caminho certo!

Quer provar um pouco de Brasil? Basta dar um pulo em seu restaurante que a chef Mara Salles será capaz de provar que nosso país tem identidade e que ela é forte e muito, mas muito saborosa.

Tradição moderna

Programas sobre gastronomia pululam na programação da TV por assinatura. Prédios não valem mais a pena se não tiverem sacada gourmet. Cozinhar está na moda. Além de médico e de louco, parece que de chef todo mundo também tem um pouco, mas poucas pessoas se levam a sério e muitas se perdem no caminho até a cozinha.

A chef Andrea Kaufmann (AK/Vila) se formou em comunicação social, inclusive trabalhou por 8 anos com publicidade. Isso até decidir se expressar através da comida. Ministrou aulas de culinária em sua casa e ainda cozinhava para festas com o seu bufê quando finalmente, em 2007, montou seu primeiro empreendimento, o AK Delicatessen (fechado para reforma e reaberto em novo endereço sob o nome de AK/Vila).  Um deli/restaurante inspirado nos vistos principalmente em Nova York.

Esta jovem chef de origem judaica mostra muito de sua personalidade em seus pratos. Eles, tal como ela, são simplesmente descomplicados. Modernos e cheios de vida, expressam exatamente onde Andrea esteve, o que ela viu e o que experimentou. Sua origem também aparece em releituras de clássicos pratos judaicos.

Talvez por ser jovem, ela ainda não aprendeu o ar de arrogância que muitos de seus pares carregam. Diferentemente deles, Andrea é acessível a ponto de parar seus afazeres para trocar experiências com seus clientes no salão. Ainda com a alegria de cozinhar, e entendendo o sentido de passar uma receita adiante, como aquelas que vão de geração em geração, ela ainda disponibilizou algumas delas em sites.

Andrea Kaufmann, afinal, não perdeu 8 anos com publicidade, ela estava exercendo sua criatividade, que agora vemos em seus pratos e que, melhor ainda, podemos experimentar.