O primeiro pedaço

Misturar o sério com o lúdico para gerar impacto. Foi isso o que fez a Anistia Internacional, movimento global contra abusos aos direitos humanos, que, em comemoração aos seus 50 anos, trocou as imagens chocantes de campanhas anteriores por bolo, tons pastel e serpentina.

Campanha mais leve, pero no mucho. Com as cabeças de Fidel Castro e do presidente bielorrusso Alexander Lukashenko no prato, a legenda diz: “Anistia Internacional: 50 anos junto com você cortando a voz da opressão.”

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Cardápio: Pão de batata

Foto: Ananda Almeida

O problema não era fazer a massa do pão, era sová-la. E depois de muito exercitar os braços, recheá-la. Não havia meios de ela fechar, de modo que dávamos voltas e mais voltas com aquela massa dura ao redor da diminuta bolinha de salsicha ou queijo que servia de recheio e o resultado era inevitavelmente uma arma letal.

Então, resolvemos mudar o ingrediente principal e foi batata! O tubérculo deixou a massa fofinha e ligeiramente pegajosa como deve ser. Gostosa de brincar quando está crua e de comer quando sai do forno.

Fora o tempo que leva para ela crescer, é uma receita bem rápida, simples e que não exije braços fortes. Qualquer sedentário dá conta do recado.

Ingredientes:

Ilustração: Renato Marcel Ribeiro

  • 30g de fermento para pão
  • 1/4 xícara de chá de leite morno
  • 1/2 xícara de chá de óleo
  • 2 ovos
  • 2 colheres sopa de açúcar
  • 2 batatas grandes cozidas e espremidas
  • 1 colher de sopa de margarina
  • 1/2 colher de sobremesa de sal
  • 500 g de farinha de trigo
  • Gema para pincelar

Modo de fazer:

Dissolva o fermento no leite morno com açúcar. Acrescente os demais ingredientes e comece a sovar até conseguir uma mistura homogênea, fofinha e pegajosa. Depois, deixe a massa descansar por 30 minutos.

Enquanto ela cresce, pré-aqueça o forno a 180ºC. Faça pequenas bolinhas com a massa – em média 20 unidades – e reserve por mais 30 minutos. Um truque para garantir que a massa cresça é espalhar as bolinhas por uma bandeja e envolvê-la por um saco plástico.

Feito isso, coloque o recheio de sua preferência, pincele a gema nas bolinhas e leve-as ao forno por meia-hora, ou até que estejam douradas.

Dica de recheio:

Ilustração: Renato Marcel Ribeiro

  • 10 salsichas raladas
  • 1/2 cebola ralada
  • Azeite
  • Salsinha
  • Pimenta Tabasco

Modo de fazer:

Em uma panela, refogue a cebola em 1 colher de sopa de azeite. Adicione as salsichas raladas – não é preciso cozinhá-las – e quanto bastar de pimenta Tabasco. Por último, acrescente a salsinha picada e voilá!

Cézanne era food stylist!

Você sabe o que é um stylist de natureza-morta? Apesar do nome moderninho, é um trabalho bem antigo que consiste em organizar cenas com objetos inanimados a fim de pintá-las, desenhá-las ou fotografá-las. Ou seja, Cézanne já era stylist. A diferença é que, enquanto nos tempos do pintor francês o interesse maior era no produto final, hoje em dia os artistas da natureza morta roubam a atenção montando paisagens, roupas, pessoas e até mesmo quadros, ainda que tudo isso seja fotografado por outros profissionais.

Para a última edição da revista de culinária francesa Fricote, por exemplo, a diretora de arte Émilie Guelpa se inspirou no sistema de cores Pantone.

Pantone Tarts. Criação de Emilie Guelpa para a revista Fricote.

O livro de receitas Hommade is Best, da Ikea, traz os ingredientes de cada prato em composições simples e delicadas da stylist Evelina Bratell. Algo como os pictogramas do Cabaré.

Composição de Evelina Bratell. Foto: Carl Kleiner

O Sydney International Food Festival fez uma campanha com bandeiras feitas a partir dos pratos típicos de cada país.

Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Suíça, Coreia do Sul, Japão, Índia, Brasil e Espanha.

Já para a rede de supermercados sueca Hemköp, a stylist Linda Lundgren montou gotas (brasileiros veem coxinhas) com produtos e embalagens de uma mesma cor.

Páscoa de grife

A meia casca praliné de avelã tem 400g e custa 96 reais. Foto: Divulgação

Se na febre gourmet o bacalhau seco foi substituído por lombo de bacalhau dessalgado congelado, no campo dos chocolates a Páscoa ficou ainda mais cara e complicada. Em vez de Nestlé, Garoto, Lacta e Ferrero, as novas opções têm nomes de escrita e pronúncia difíceis, como Callebaut e Valrhona; e já não ficam mais nos corredores de supermercados.

De nome mais simples, a Crismel Chocolaterie trabalha com matéria-prima belga e francesa em diversas porcentagens de cacau e em diversos formatos. Para quem quiser fugir do óbvio, ou simplesmente economizar sem ter que passar pelo constrangimento de distribuir “Kinder Ovos”, há também trufas, coelhos, cartões, colheres, sapatos e até baralhos de chocolate.

Os preços, vá lá, não são baratos. Ainda assim, um ovo de chocolate ao leite de 500g sai por R$110 contra R$149 da Chocolat du Jour.

Lata com 16 carrés sortidos, R$58. Foto: Divulgação

Crismel Chocolaterie

Rua França Pinto, 499 – Vila Mariana

Alameda Jauaperi, 419 – Moema

www.crismel.com.br

Meet me in St. Louis…

Pequeno, escuro e cheio de artefatos vintage. Assim é o St. Louis, no Jardim Paulista, zona oeste de São Paulo. Não bastasse isso, ainda serve lanches que estão sempre nas listas dos melhores hambúrgueres da cidade. Os preços subiram um pouco, mas continuam abaixo dos praticados pela concorrência.

Foto: Tadeu Brunelli / Época SP

Estacionamento:

É questão de sorte. Não há serviço de valet nem estacionamentos próximos, então o jeito é encontrar lugar na rua. Durante o dia, paga-se zona azul, mas à noite não é preciso gastar sequer com flanelinhas.

Entrada:

Quase sempre é preciso enfrentar uma fila de espera que cresce lá pelas 21h. Passado esse obstáculo, não se deixe enganar por uma placa espirituosa ao lado da porta, na qual está escrito: “This is not Burger King, you don’t have it your way. You have it my way or you don’t eat the damn thing”. O lugar é aconchegante e o atendimento, atencioso.

Entre as opções de entrada estão porções tradicionais, como onion rings, batata frita e batata com cheddar e bacon (R$23). A batata não é extraordinária, o cheddar leva muito amido e o bacon… bem, é bacon. O que surpreende são os extras: molho barbecue e cebola grelhada. Fica adocicada, uma delícia!

Prato principal:

Para nós, o grande mérito da lanchonete de Luiz Cintra é saber equilibrar os sabores e as quantidades. Não é porque maionese é gostosa que precisamos lambuzar os lanches com ela. No St. Louis tudo é comedido, mas por uma questão de paladar e não de economia.

O Tommy’s (R$24) – hambúrguer, queijo prato, chili e salada – não chega a mesa transbordando, apesar da receita cremosa. Tampouco faz você suar com a ardência da pimenta. O chili é levemente picante e vem em quantidade moderada, o que é perfeito para saborear o hambúrguer feito no char-broil.

Mais forte, o Pepper Crust (R$28,5) tem hambúrguer revestido em pimenta do reino e molho de mostarda dijon. Parece ser o contrário de tudo o que dissemos até agora, mas não é, pois leva hambúrguer maior, o que suaviza o impacto dos demais ingredientes.

O Bacon (R$22) – hambúrguer, queijo e bacon – é simples, mas eficaz. Quem disse que só de ingredientes gourmet e receitas inusitadas vivem os bons lanches? Já o New York Street Dog (R$15) aposta em uma mistura de resultado agridoce – molho de tomate acebolado e cole slaw – para acompanhar salsicha consistente, batata palha e batata chips.

Uma coisa bacana é que é possível transformar as receitas dos lanches em versões vegetarianas. Cobra-se R$2 a mais para fazer isso.

Sobremesa:

Tortas! De limão com calda de framboesa e de maçã com sorvete de creme. Vale a pena pedir as duas e fazer um rodízio com os companheiros de garfo.

Outras considerações:

“Embora as porções possam parecer pequenas, elas realmente satisfazem sem que você se sinta estufado. Outra delícia que vale comentar é a Berrie Lemonade (R$7) – limonada e framboesa. Diferente e refrescante.”

“Além do ambiente ser incrível, a comida  é deliciosa, com uma inesquecível torta de maçã. Segue uma ressalva: se você estiver em muitas pessoas, não espere um tratamento especial, você vai ficar na fila – e que fila! – como todas as outras pessoas, mas tudo isso vale muito a pena. Lanche gourmet com um preço bem bacana. Queria que tivesse um restaurante desses na esquina da minha casa.”

St. Louis

Rua Batataes, 242 – Jardim Paulista

Tel.: (11) 3051-3435

www.stlouisburger.com.br

KitchenAdds

Panelas Le Creuset, eletrodomésticos Viking e portáteis da KitchenAid são alguns dos sonhos de consumo mais comuns entre aqueles que gostam de cozinhar. Eles são lindos, famosos, clássicos e dolorosamente caros, especialmente no Brasil.

Enquanto não é viável pagar R$1.500 por uma batedeira e R$800 por uma panela, não custa nada conferir as novas coleções dessas marcas, ou simplesmente admirar os modelos tradicionais. Nesta campanha criada no ano passado pela agência brasileira DM9, as batedeiras da KitchenAid aparecem em peças inspiradas em diferentes movimentos artísticos.

Cardápio: Hambúrguer de calabresa

Hambúrguer de calabresa. Foto: Renato Marcel Ribeiro.

Embora hoje seja possível saboreá-lo até com queijo brie e cogumelos, o hambúrguer tem origem humilde. Feito com carne moída e ingredientes simples, tais como sal, pimenta e ovos, surgiu na cidade de Hamburgo, na Alemanha, como uma forma de driblar a consistência dos cortes menos nobres.Era o frikadellen.

No século 19, quando imigrantes europeus partiram do Porto de Hamburgo para os Estados Unidos, a receita chegou a Nova York, onde ficou conhecida por sua cidade de origem, já que hamburger, em alemão, refere-se a algo ou alguém de Hamburgo.

Várias adaptações depois, o hambúrguer é hoje um dos principais representantes da culinária americana e febre em São Paulo. Para se ter uma ideia, a única filial do PJ Clarke’s fora dos Estados Unidos fica por aqui.

Nossa receita é uma versão com linguiça calabresa da Lela’s Famous Burger, ensinada pelo chef Gordon Ramsay em um episódio de Kitchen Nightmares.

Ingredientes:

Ilustração: Renato Marcel Ribeiro

  • 500gr de liguinça calabresa defumada moída
  • 100gr de patinho moído
  • 1 cebola picada
  • 2 colheres de sobremesa de mostarda Dijon
  • 3 colheres de sobremesa de ketchup
  • splashes de molho inglês
  • 2 gemas
  • pimenta do reino a gosto

Modo de fazer:

Misture todos os ingredientes em uma travessa até formar uma massa homogênea. Com as mãos, molde os hambúrgueres e frite-os. Rende entre 4 a 6 hambúrgueres de respeito.