Cardápio: Shimeji na manteiga

Foto: Ananda Almeida

Da família dos cogumelos, o shimeji tem alto valor nutricional em poucas calorias. Ele é fonte pouco gordurosa de proteínas e provoca sensação de saciedade, além de estudos mostrarem sua eficácia na prevenção do câncer e do colesterol.

Apesar de a receita servida nos restaurantes não ser light e levar manteiga, é boa notícia para os frequentadores de rodízio de japonês, onde o shimeji costuma ser o carro-chefe das opções quentes. Já quem gosta de preparar as receitas em casa também tem motivo para se animar. Diferentemente do que acontece com sashimis, temakis, hot rolls etc, não é preciso ser um sushi man ou correr até a Liberdade a fim de comprar ingredientes estrambóticos. Além do shimeji, a receita leva apenas shoyu, sake, manteiga e cebolinha.

Ingredientes:

Ilustração: Renato Marcel Ribeiro

  • 2 porções de shimeji
  • shoyu light quanto baste
  • mirin (sake licoroso)
  • 2 colheres de sopa de manteiga sem sal
  • cebolinha

Modo de fazer:

O shimeji normalmente vem em um único bloco, então é preciso desmembrá-lo e lavá-lo. A parte dura da base deve ser descartada. Feito isso, seque bem as hastes.

Em uma frigideira, derreta a manteiga e  acrescente o shimeji. Adicione o mirin e refogue até que o shimeji esteja mais macio. O mirin é adocicado e, portanto, pode ser colocado de acordo com o gosto.Por fim, quando o shimeji tiver absorvido bastante o sabor, acrescente o shoyu. Recomenda-se o shoyu light pois ele é menos salgado.

Finalize com a cebolinha e pronto! Sirva-se e aproveite!

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Un hogar mexicano

De uns tempos para cá fomos invadidos por uma onda de casas mexicanas. Ficamos mais entrosados com burritos, tacos e enchilladas. Aprendemos a comer guacamole e muita pimenta jalapeño, mas não sabemos tanto assim sobre a verdadeira comida mexicana. Na maior parte do tempo nos deparamos com restaurantes tex-mex que são ótimos, mas, como diz o nome, trata-se de uma cozinha híbrida, nascida nas fronteiras do estado americano do Texas com o México.

Uma nova casa no Itaim, no entanto, promete trazer as raízes mexicanas para a mesa. É o Hecho en Mexico

O milho com manteiga na espiga custa R$6,2.

Estacionamento:

Com uma fachada discreta, principalmente à noite, é preciso cautela para não passar o lugar, que conta com serviço de manobrista compartilhado com o restaurante da esquina, o Pomodori. O serviço custa R$18,00 (com carimbo da casa paga-se R$15,00) e se faz necessário uma vez que é bem difícil achar um lugar na rua para estacionar.

Entrada:

Passando pela porta fica uma área com vista para a rua que serve tanto como sala de espera quanto como espaço para refeições rápidas. Atravessamos um corredor com referência aos lutadores de lucha libre para chegarmos ao salão principal, cuja decoração simples, mas alegre é certeira na referência ao México.

Prato principal:

O cardápio do Hecho en Mexico é composto por pratos que, embora substanciosos, são em sua maioria porções para serem saboreadas com as mãos, como os clássicos burritos, tacos e quesadillas. Em cada categoria é possível escolher entre 4 a 5 opções de recheio, entre elas uma versão vegetariana.

Pe Efe Carnitas

Experimentamos várias combinações e todas estavam deliciosas. Foram elas: o taco carnitas, de carne de porco marinada acompanhada de vinagrete; o burrito fajitas, de carne com cebola e bacon (todos os burritos vem com arroz e frijoles refritos); e quesadillas de shimeji e queijo, em porção com 4 pedaços

Para quem não consegue se satisfazer com entradas, o restaurante também serve os “Pe Efes”, uma brincadeira com os nossos pratos feitos. Todos eles vêm com arroz, feijão, guacamole, salsa, uma carne à escolha e ovo frito para quem quiser. Uma das melhores coisas são os preços, que não passam dos R$20,00.

Para os amantes das pimentas, lá é possível encontrar 4 tipos distintos de molhos de pimenta, além, é claro, da já conhecida tabasco. Todos eles ficam no bar e podem ser pegos a qualquer momento em copinhos. Cada molho tem um grau de ardência e um sabor a ser explorado.

Sobremesa:

Nada de petit gâteau ou brownies. No Hecho en Mexico a melhor opção (são apenas 3) é o arroz doce que, embora simples, tem sabores complexos. Além da canela, leva suco de laranja e uva passa. Há também torta de ricota e frutas.

Outras considerações:

“Adorei o Hecho en Mexico. O ambiente é agradável e a comida, interessante e saborosa, embora menos agressiva que as opções tex-mex. Os ingredientes ficam ótimos juntos, pois nenhum se sobressai devido ao excesso de pimenta, de gordura ou de sabor. Bom exemplo disso é o arroz doce que, apesar de feito com mais ingredientes, ficou mais suave que os normalmente encontrados por aí.”

Hecho en Mexico

R. Dr. Renato Paes de Barros, 538 – Itaim

(11) 3073 – 0833

hechoenmexico.com.br

Anatomia de um lanche

Todo adolescente sabe disto. Juntamente com o miojo, o hot pocket e a pipoca de micro-ondas, os sanduíches estão entre as primeiras coisas que aprendemos a fazer na cozinha quando estamos sozinhos, sem dinheiro e com muita fome. Não tem segredo, bastam duas – ou mais – fatias de pão, qualquer coisa para colocar entre elas, e pronto!

The Club: bacon, tomate, alface, peru, queijo suiço, maionese, no pão branco tostado.

No entanto, devemos concordar que não é só isso que faz um sanduíche ser um bom sanduíche. Além de gostoso, ele tem que ser cheiroso e bonito, como o artista e designer texano Jon Chonko parece saber bem.

Desde 2009, Chonko mantém o site Scanwiches, que, como o próprio nome diz, é dedicado à arte de escanear dos mais clássicos aos mais inusitados sanduíches. É um trabalho de análise anatômica que, por meio de um corte transversal, mostra com criatividade ingredientes, invoca memórias e tudo o que faz desta maravilha gastronômica uma unanimidade.

O sucesso do site foi tão grande que Jon Chonko chegou a expor seu trabalho em uma galeria em Nova York, em 2011, e, assim como aconteceu com o They Cook and Draw, ainda lançou um livro com a coletânea de sua obra. Além das imagens, O livro Scanwiches também traz receitas e histórias dos lanches, inclusive de clássicos internacionais como é o caso do nosso Bauru.

O Dagwood

Cardápio: Musse de limão

Musse de limão. Foto: Renato Marcel Ribeiro

Em francês, mousse quer dizer espuma. Na culinária, corresponde a um creme leve, às vezes aerado, que pode ser feito com diversas técnicas, como com o uso de gelatina ou de claras em neve, em vários sabores.

Pode ser salgado, como uma espécie de patê, mas, no Brasil, é famoso por suas versões doces, como os musses de chocolate, de maracujá e de limão.

Nossa receita não leva nem gelatina nem claras em neve, e é a versão “sobremesa rápida” do musse, para ser feito somente com o liquidificador. Fica mais para creme que para espuma, é verdade. Por outro lado, concentra o sabor.

Ingredientes:

Ilustração: Renato Marcel Ribeiro
  • 1 lata de creme de leite
  • 1 lata de leite condensado
  • suco de 3 limões
  • raspas de casca de limão para decorar

Modo de fazer:

Bata num liquidificador o leite consendado com o suco de limão até ficar homogéneo. Em seguida, adicione o creme de leite e bata até tudo estar bem misturado.

Coloque o musse na local em ele será servido mais tarde, salpique as raspas da casca de limão por cima e ponha na geladeira para gelar e endurecer. Siva-o gelado.

Cardápio: Merengue italiano

O merengue é uma mistura leve e doce feita a partir de claras em neve e calda de açúcar que serve como base para diversas receitas, como suspiro (basta levar o merengue ao forno) e macarons. Sozinho, é uma ótima opção para decorar bolos e tortas, além de combinar muito bem com as frutas no verão.

Segundo historiadores, este curinga da confeitaria tem duas origens possíveis. Em uma versão, o merengue teria sido inventado por um confeiteiro suíço chamado Galisparini durante sua estada na cidade alemã de Meiringen. Já a outra versão diz que a palavra vem do polonês marzynka, e teria sido criado por um chef em serviço na corte do rei Stanislas I Leszczyński, que mais tarde virou o duque de Lorraine. Ele, então, teria passado a receita para sua filha Marie, que a apresentou à França. Boatos contam que a famosa Maria Antonieta gostava tanto de merengue que ela mesma o fazia.

Até o século 19, os merengues eram moldados com colheres. Acredita-se que o célebre Carême, “chef dos reis e rei dos chefs”, tenha sido o primeiro a apresentá-lo da forma como o conhecemos hoje, feita com bico e saco para confeitar.

Ao leitor atento, cabe a pergunta: “Por que diabos merengue italiano?”

É que, independentemente de qual tenha sido o primeiro, há três tipos de merengue: o francês, o suíço e, claro, o italiano. O francês é o mais simples. Basta misturar claras em neve com açúcar. A receita suíça pede que os ingredientes sejam fervidos em banho-maria antes de irem para a batedeira. E a italiana é assim:

Ingredientes:

Ilustração: Renato Marcel Ribeiro

  • 200g de açúcar branco refinado
  • 100ml de água
  • 60g de clara de ovo (2 claras)

Modo de fazer:

Em uma panela, coloque o açúcar e a água. Deixe ferver em fogo médio até que a mistura borbulhe e comece a mudar de cor – de incolor para amarelado. Enquanto isso, bata as claras em neve até conseguir picos firmes. Esse procedimento leva quase o mesmo tempo necessário para fazer a calda.

Com a batedeira em velocidade máxima, acrescente em fio a calda de açúcar às claras em neve. Quando terminar, deixe a batedeira ligada até que a vasilha esteja morna, quase fria.  E está pronto.

Cardápio: Salada de Maionese

A famosa Salada Almeida. Foto: Renato Marcel Ribeiro

Tudo começou em meados de 1860, quando o chef de origem belga Lucian Olivier criou para seu restaurante, Hermitage, em Moscou, uma receita que ele chamou de Salada Olivier. Contendo supostamente batatas em cubos, vegetais, ovos e cortes de carne sofisticados, além, é claro, da maionese, ela ficou tão famosa que virou o prato assinatura do restaurante.

Até hoje, porém, ninguém sabe a receita original em sua integridade. O chef a manteve em segredo durante toda sua vida, e acabou por levá-la consigo para o túmulo. Por ser tão famosa, muitos queriam copiá-la. Foi então, na virada do século 20, que um dos sous-chefs de Olivier, Ivan Ivanov, tentou roubá-la. Ele se aproveitou de uma emergência que obrigou Olivier a sair de sua cozinha particular, na qual ele fazia a famosa salada, para anotar a misteriosa receita.

Pouco tempo depois, Ivanov pediu as contas e, provavelmente por conta de seu trambique, virou chef no restaurante Moskva, onde apresentou uma salada muito parecida com a de Olivier. Os paladares mais aguçados da época, porém, percebiam a diferença e diziam que faltava algo a receita.

De qualquer forma, o chef Ivanov conseguiu capitalizar, e vendeu sua receita a várias editoras, o que contribuiu para a disseminação dessa salada que, entre cópias e adaptações, passou a ser conhecida em muitos lugares simplesmente como salada russa, e é bem possível que por conta desse telefone sem fio, hoje cada salada de maionese tenha uma receita própria.

Alguns povos a servem como prato típico de comemoração de Ano Novo, mas aqui no Brasil ela é encontrada principlamente nos churrascos. Desconfio que os motivos para isso sejam dois: em primeiro lugar, nunca há um número satisfatório de pessoas que de fato comem salada tradicional, com folhas verdes etc; em segundo, uma bela porção de salada de maionese sempre vai bem quando a carne está devagar.

Aprendi esta receita com a minha madrinha, que aprendeu com a mãe dela, que aprendeu com alguém e assim vai. Nela vai batata, ovo, maionese e algumas coisas mais, mas o segredo é: não se trata de uma batatese, como chamamos em casa as saladas em que a batata vem em cubos. Não, esta receita leva purê, e é um excelente acompanhamento em qualquer churrasco.

Ingredientes:

Ilustração: Renato Marcel Ribeiro

  • maionese caseira
  • 1 lata de milho verde
  • 1/2 vidro (gr) de azeitona verde picada
  • 1 cenoura grande ralada
  • 4 ovos cozidos ralados
  • 6 salsichas raladas
  • 7 batatas grandes
  • sal, pimenta-do-reino e limão para temperar

Modo de fazer

Cozinhe as batatas. Em seguida, amasse-as para fazer um purê (com um espremedor de batatas ele fica melhor). Tempere com sal, pimenta-do-reino e limão a gosto. Reserve.

Num recipiente à parte, misture os ovos, a cenoura, as salsichas, o milho e as azeitonas. Com o recheio pronto, adicione-o ao purê já temperado e misture bem.

Acrescente a maionese caseira e pronto!

(A maionese industrial pode ser usada, mas não fica a mesma coisa).

A saga americana

Um país de grandes proporções como os Estados Unidos, com paisagens das mais variadas, desde as montanhas gélidas do Alasca até as areias das praias Havaianas, só poderia ser composto pelas mais diversas culturas, costumes e etnias.

Dessa miscelânea nasceu a gastronomia do país, de raízes emprestadas, mas nem por isso menos próprias. Com talento especial para tornar tudo mais gorduroso e maior. Não é a toa que quando falamos em comida americana logo pensamos em pizza, cachorro-quente e hambúrguer.

Em Man vs. Food, transmitido no Brasil pelo canal Fox Life, o simpático gordinho Adam Richman viaja pela terra do tio Sam com apetite a altura dos super-sizes em busca daqueles desafios vistos em filmes. A cada episódio, Adam se dedica a exterminar pratos superlativos, quebrando recordes locais,  e enfrentando adversários de peso.

É, ao mesmo tempo, nojento e divertido ver comidas tão gordurosas em porções tão grandes serem devoradas em tão pouco tempo, numa ode anacrônica à comilança desenfreada e sem etiqueta.

Também vale a pena pelas vezes em que, perdidos entre as batatas fritas, Richman encontra pratos um pouco mais refinados e diferentes, assim como por suas visitas a cozinha, a fim de nos mostrar a preparação de cada receita.

Vai ao ar todas as quartas-feiras, às 22h e às 22h30, no Fox Life.